A leitura do livro Quem mexeu no meu queijo? foi bem rápida, para dizer a verdade foi enquanto eu esperava a entrega de uma refeição do ifood, fiz o pedido e consegui terminar a tempo do almoço de domingo. Foram uns 45 minutos que eu passei bem entretida. O livro está dividido no introdução sobre a escrita do livro e mais três partes: a reunião, a história e o debate.
São amigos ex-colegas de escola que se reúnem num encontro anual para conversar e trocar informações do que tem acontecido na vida deles durante esses anos. Muito se passou, cada um seguiu sua própria vida mas em muitos pontos eles também se aproximam no que diz respeito aos seus sonhos e angústias. Cada um tem sua personalidade, suas experiências e desejos.
Chegando ao segundo momento, passamos a conhecer uma história narrada por um deles "Michael" que nos apresenta quatro personagens que estão dentro de um labirinto em busca de seu queijo. Dois ratinhos Sniff e Scurry, e dois homenzinhos Hem e How. Cada um deles com suas próprias características que representam as atitudes humanas ao enfrentar as mudanças, os medos e dificuldades da vida. Sniff age por extinto, consegue antever as mudanças e agir rápido; Scurry entra logo em ação, coloca a mão na massa e segue em frente; Hem rejeita as mudanças, resistindo a elas pois teme que aconteça algo pior; enquanto que Haw aprende a se adaptar a tempo quando percebe que a mudança o leva a algo melhor.
O autor coloca o queijo como uma metáfora sobre o que desejamos na vida, seja um bom emprego, um relacionamento, uma casa bonita, uma família estruturada ou uma aspiração pessoal. Os personagens seguem pelos labirintos da vida encontrando obstáculos, caminhos difíceis, lugares escuros até que encontram o tão sonhado queijo. A atitude dos humanos é de se acomodarem e se sentirem merecedores de tudo aquilo, estagnando.
No momento que o queijo acaba, por extinto os ratinhos saem da estação Q e vão em busca de mais queijo, já os humanos passam a sofrer, reclamar, se sentirem injustiçados. Haw no início resiste e continua no local com medo, tenta convencer o amigo Hem mas ele é muito resistente a mudanças e prefere continuar no mesmo lugar. Haw decide arriscar, enxerga as situações e passa a registrar com imagens e frases suas vivências, servindo de ensinaments para os outros que enfrentam os mesmos problemas. Depois de muitos sacrifícios e de perceber a necessidade de enfrentar os medos para seguir em frente, ele finalmente alcança o tão almejado novo queijo. Haw percebe como toda essa experiência foi valiosa.
Analisando toda a situação conseguimos fazer alusão a diversos aspectos do que desejamos na vida, todos os esforços que precisamos fazer para realizar nossos sonhos: uma profissão (precisamos estudar, persistir, fazer sacrifícios, enfrentar os obstáculos até conseguirmos o almejado sucesso e retorno financeiro), um relacionamento (precisamos conquistar o outro, ter a confiança, cuidar, nos colocar no lugar dele, ter paciência, enfrentar as crises), um bem material ou realização pessoal (fazer esforços, sacrifícios, aprender com os erros).
"O maior obstáculo à mudança está dentro do próprio indivíduo,
nada melhora até ele mesmo mudar".
Quando as mudanças vierem possivelmente teremos diferentes atitudes : conseguiremos prever e tomar um novo rumo, seguir em frente sem lamentações, enfrentar os medos e aprender a cada passo, ou simplesmente se queixar, deixar que tudo paralise e colocar a culpa sempre no outro sem buscar novas alternativas. A forma como lidamos com as mudanças é que definirá os novos contornos que a vida terá.
Ao final Haw até deseja voltar para ajudar o amigo Hem mas lembra do quanto ele foi resistente quando ele sugeriu que eles saíssem dali. Ele percebe que a mudança deve vir da própria pessoa, ela precisa desejar e buscar a própria mudança. Sua contribuição já estaria nas paredes escritas com os ensinamentos que ele teve ao longo de todo o processo. Assim ele desejava que o amigo seguisse os passos corretos até o novo queijo.
Na parte final, temos um debate entre os amigos trazendo a tona seus medos, suas atitudes e reações sobre os vários aspectos de suas vidas, até mesmo é preciso ver os relacionamentos e profissões com novos olhos, sem a necessidade de se desfazer do antigo queijo, mas poder se refazer em meio a tudo que esteja passando. O final de Hem fica em aberto para imaginarmos se ele saiu do labirinto ou ainda permanece lá resistente as mudanças.
É uma leitura que com certeza traz várias reflexões. Pensamos em quais seriam nossos queijos, sobre nossas atitudes, com qual personagem nos identificaríamos mais, o que faríamos no lugar deles, se veríamos as coisas com outros olhos, se nossas atitudes seriam diferentes numa próxima vez e muito mais. Acredito que sim e trago esse debate para vocês.
APRENDIZADOS DO LIVRO
- Mudanças acontecem, elas ficam mudando o queijo de lugar.
- Antecipe as mudanças, prepare-se para a troca de lugar do queijo.
- Monitore as mudanças, cheire o queijo com frequência para saber quando está ficando velho.
- Adapte-se rapidamente às mudanças, quanto mais rápido você se libertar do queijo velho mas cedo poderá saborear o queijo novo.
- Mudanças, saia do lugar com o queijo.
- Aprecie a mudança! Sinta o gosto da aventura e saboreie o novo queijo!
- Esteja preparado para mudar rapidamente e aproveite todas as mudanças, elas continuam mudando o queijo de lugar.
___________________________________________
SPENCER JOHSON
Nasceu em Mitchell, Dakota do Sul em 1940. Formou-se em Notre Dame High School no distrito de Sherman Oaks na Califórnia em 1957. Em 1963, ganhou uma graduação B.A. em psicologia na Universidade do Sul da Califórnia e um M.D. de medicina da Royal College of Surgeons in Ireland. John viveu no Havaí e no estado de Nova Hampshire. Ele começou escrevendo livros infantis e em 1980 mudou seu gênero literário ao lançar com Ken Blanchard O Gerente-minuto, uma parábola sobre liderança que vendeu mais de 15 milhões de exemplares no mundo. Morreu em 3 de julho de 2017, aos 78 anos, sofria de um câncer no pâncreas.
Nenhum comentário: