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HELENA - AUTOR: MACHADO DE ASSIS - RESENHA

 


Título: Helena | Autor: Machado de Assis
Editora: Ciranda Cultural | País: Brasil | Ano: 1876 / ed.2010 | Páginas: 160
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SINOPSE
Um dos primeiros romances publicados por Machado de Assis, Helena faz parte da fase romântica do autor. Por meio dos conflitos acerca do passado e do futuro da protagonista que dá nome ao livro, o autor aborda o amor proibido pela sociedade e pela religião; e, enquanto constrói os cenários e os personagens com ricas descrições, critica as aparências e os costumes sociais brasileiros do século XIX.


Essa leitura faz parte do Projeto "Lendo Machado de Assis" a qual venho compartilhando aqui no blog e canal. Esse é o terceiro livro que leio de Machado. O livro Helena publicado em 1876 pela primeira vez, faz parte ainda da primeira fase Romântica  do autor. Eu li pelas duas edições que eu tenho, o box com todos os livros e contos consagradas, e a edição que está nas fotos, da Editora Ciranda Cultural, uma edição simples e mais acessível ao público voltado ao vestibular, que trás o livro na íntegra e mais questões de vestibular, e notas sobre o autor e a obra. 


Com a leitura, passamos a conhecer Helena, a nossa personagem principal. Ela é a filha ilegítima do Conselheiro Vale com Ângela da Soledade, morreu quando Helena tinha 12 anos, ela estava sendo educada no Colégio de Botafogo. Foi descoberta pela família na abertura do testamento pela morte  do Conselheiro por apoplexia fulminante (derrame cerebral) aos 54 anos, que a reconhece e tem como último pedido que ela viva com a família na Chácara de Andaraí. 

Dona Úrsula, irmã do Conselheiro, não aceita a ideia, vê como um ato de usurpação. Ela era eminentemente severa a respeito dos costumes. "A nova filha era, no seu entender, uma intrusa, sem nenhum direito ao amor dos parentes; quando muito, concordaria em que se lhe devia dar o quinhão da herança e deixá-la à porta." (pág.12) Estácio, filho do conselheiro, já contando com seus 27 anos e formado em matemática, fica feliz com a atitude do pai e pela possibilidade de ganhar uma irmã. Enquanto que o Doutor Camargo, o amigo do Conselheiro, médico e futuro sogro de Estácio, pai de Eugênia, fica muito descontente com a diminuição da herança. Helena finalmente chega e termina por conquistar as pessoas pelo seu jeito, mas ela esconde um misterioso segredo que vai tumultuar a vida de todos.  

Helena foi descrita como uma moça de mais ou menos 16 ou 17 anos, delgada sem magreza, estatura um pouco acima de mediana, talhe elegante e atitudes modestas. Sabia tocar piano, falar diferentes idiomas, conhecia de costura, sabia se acomodar às circunstâncias. "Tinha todos os predicados próprios a captar a confiança e a afeição da família. Era dócil, afável e inteligente." (pág.22) Os primeiras dias em convívio com os parentes na casa foram um incômodos, não passando curtos encontros durante as refeições. Foi Estácio que tentou tornar aquela situação mais natural depois do quarto dia abrindo espaço para conversas com a irmã recém-chegada e a convidando para conhecer a casa. Helena logo tentou se aproximar deles, mesmo encontrando resistência com a tia, ela tentava reagir. 

Helena em poucos dias, já tornara-se o acontecimento do bairro, seus ditos e gestos foram o assunto da vizinhança e o prazer dos familiares da casa. Enquanto era admirada por uns, sentia a hostilidade de outros. Cada um tentava saber mais sobre Helena. 


De repente dona Úrsula foi acometida por uma doença. todos ainda muito abalados pela perda do Conselheiro, não podia nem imaginar, perdê-la também. Foi chamado o médico que disse que era grave. Logo, Helena se pós a cuidar de tudo. Não deixou que nada faltasse para todos da casa. Ato que lhe trouxe o respeito e admiração, principalmente da tia Úrsula que começou a vê-la com outros olhos.

Quem ainda se mantinha distante era Doutor Camargo, que na primeira aproximação deixou claro que sabia os mistérios que envolvia Helena e que para manter-se em segredo precisava de sua ajuda para convencer Estácio de seguir em frente com os planos de casamento com sua filha Eugênia.

Dias depois o amigo de Estácio, Mendonça, chega de viagem e vai visitar o amigo. Ele é descrito como da mesma estatura de Estácio, um pouco mais cheio, ombros largos, fisionomia risonha e franca, natureza móbil e expansiva, vestido com o maior apuro. Ele lhe falou da situação de Helena e de como merecia consideração. Os dois começam a se aproximar e passam a pensar em casamento. Helena confessa gostar de outro, além disso Estácio não o considera digno de Helena e passa a se interpor. O que me faz pensar que existia um sentimento entre Helena e Estácio, porém por serem irmãos, esse amor se tornaria impossível. Mistérios em relação ao passado de Helena vem à tona e novas possibilidades podem acontecer.


Helena foi uma leitura interessante, consegui terminar em uma noite, me senti mais próxima ainda na obra de Machado, sinto que estou no caminho de conhecer mais sobre seu universo e pensamento. Nesse livro, o tema gira em torno da construção da família tradicional, sobre as críticas que são feitas aos filhos nascidos fora do casamento e a forma de reconhecê-los. Da forma como é mal vista, especialmente a mulher na relação extraconjugal e os filhos como usurpadores de heranças. Machado continuou analisando o comportamento das pessoas e sua essência baseado na forma de conviver com os outros. 

Gostei bastante do personagem de Helena e dos demais, foram bem construídos, principalmente do núcleo familiar, eu conseguia enxergá-los. Enquanto lia ficava pensando o quanto o autor coloca nas características do personagem o muito que ele idealiza ou despreza em uma pessoa, as atitudes e pensamentos. Da primeira vez que tive contato com a obra anos atrás, eu ainda não conseguia perceber alguns detalhes que vejo hoje. O desfecho não foi o que eu desejava, mas respeito e dou continuidade lendo os outros livros. Com certeza, eu indico que leiam todos os romances de Machado, especialmente Helena. 


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= SOBRE O AUTOR =



Joaquim Maria Machado de Assis nasceu no Rio de Janeiro em 21 de Junho de 1839. Considerado um dos maiores escritores brasileiros, foi  poeta, romancista, cronista, dramaturgo, contista, folhetinista, jornalista e crítico literário. É o fundador da cadeira nº. 23 da Academia Brasileira de Letras. Os romances que escreveu foram: Ressurreição (1872),  A mão e a luva, (1874), Helena, (1876), Iaiá Garcia, (1878), Memórias Póstumas de Brás Cubas, (1881), Casa Velha, (1885), Quincas Borba, (1891), Dom Casmurro, (1899), Esaú e Jacó, (1904) e Memorial de Aires, (1908).






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