Machado de Assis é um daqueles escritores clássicos que são apresentados para gente ainda bem pequenos na escola. Sempre com aquele tom sério e com uma leitura que é voltada para uma prova e depois o vestibular. Somente com o passar dos anos, passamos a ver suas obras de uma outra forma. Com o blog, eu estou tendo a oportunidade de reler seus livros, conhecer mais sobre como foi seu contexto de vida e as ideias que o inspiraram. Uma forma de resgatar momentos importantes da nossa história da Literatura. Gostaria de compartilhar com vocês essa experiência no Projeto de Leitura "Lendo Machado de Assis", vem participar também.....
Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839, no Morro do Livramento, no Rio de Janeiro, na época capital do Império, em pleno Período Regencial. Filho de Francisco José de Assis, trabalhava pintando paredes (filho de Francisco de Assis e Inácia Maria Rosa, ambos escravos alforriados), e Maria Leopoldina da Câmara Machado, uma lavadeira portuguesa (filha de Estevão José Machado e Ana Rosa). A família Machado imigraram para o Brasil em 1815, oriundos da Ilha de São Miguel, no arquipélago português dos Açores. Ambos os pais de Machado de Assis sabiam ler e escrever, um fato não tão comum na sua época e classe social. Ambos eram agregados da Dona Maria José de Mendonça Barrozo Pereira, esposa do falecido senador Bento Barroso Pereira, que abrigou seus pais e os permitiu morar junto com ela. Maria José e Joaquim Alberto de Sousa da Silveira (cunhado) foram seus padrinhos, sendo homenageados com a junção dos nomes "Joaquim Maria'. Pouco tempo depois, nasceu sua irmã que veio a falecer com apenas 4 anos em 1845.
INFÂNCIA E JUVENTUDE
Machado fez seus primeiros estudos na escola pública do bairro de São Cristovão. Lá, tornou-se amigo do padre Silveira Sarmento e o ajudava nas missas, familiarizando-se assim com o latim. Quando tinha dez anos sua mãe morreu, e seu pai saiu da Chácara passando a viver com Maria Inês da Silva, só vindo a casar-se em 1854. Sua madrasta trabalhava como doceira em uma escola e levava o enteado para assistir algumas aulas. À noite, Machado ia para uma padaria, local onde aprendia francês com o forneiro. À luz de velas, Machado lia tudo que passava em suas mãos e já escrevia suas primeiras poesias. Em busca de um emprego, com 15 anos, conheceu Francisco de Paula e Brito, dono da livraria, do jornal e da tipografia.
JORNALISTA
No dia 12 de fevereiro de 1855, o jornal “Marmota Fluminense” trazia na página 3 o poema “Ela”, de Machado de Assis: "Dos lábios de Querubim, Eu quisera ouvir um sim Para alívio do coração"... Daí em diante não parou de escrever na Marmota e a fazer amizades com os políticos e literatos, frequentadores da livraria, onde o assunto principal era a poesia. Em 1856, Machado entrou para a Imprensa Oficial como aprendiz de tipógrafo, muitas vezes se escondia para ler tudo que lhe interessava. O diretor decidiu incentivar o jovem e o apresentou a três importantes jornalistas: Francisco Otaviano, Pedro Luís e Quintino Bocaiúva. Em 1858, foi para o Correio-Mercantil como revisor de provas, colaborando também para outros jornais. Com 20 anos, Machado de Assis já frequentava os círculos literários e jornalísticos do Rio de Janeiro, capital política e artística do Império. Em 1960, Machado de Assis foi chamado por Quintino Bocaiúva para trabalhar na redação do “Diário do Rio de Janeiro”, que estava sendo preparado para retornar sob a direção política de Saldanha Marinho. Além de escrever sobre todos os assuntos e manter uma coluna de crítica literária, Machado tornou-se o representante do jornal no Senado. Machado também escrevia no “Jornal das Famílias”, onde suas histórias eram lidas nos serões familiares.
MACHADO, UM POETA
Em 1864, Machado de Assis publicou “Crisálidas”, uma coletânea de seus poemas. O livro foi dedicado a seus pais, Maria Leopoldina e a Francisco, que morrera naquele ano. Em 1867, o Imperador concedeu a Machado o grau de "Cavaleiro da Ordem da Rosa", por serviços prestados às letras nacionais. No dia 8 de abril Machado foi nomeado ajudante do diretor do Diário Oficial, iniciando sua "carreira burocrática".
CASAMENTO
Em 1868 ele conheceu Carolina Xavier de Novais, uma portuguesa culta, irmã do poeta português Faustino Xavier de Novais, que lhe revelou os clássicos lusitanos. No dia 12 de novembro de 1869, o casamento de Machado e Carolina é realizado, tendo como testemunhas, Artur Napoleão e o Conde de São Mamede, em cuja residência se realizou a cerimônia.
ROMANCISTA
Em 1872, Machado de Assis publicou seu primeiro romance, “Ressurreição”. No dia 30 de janeiro de 1873, a capa do décimo número do “Arquivo Contemporâneo”, periódico do Rio de Janeiro, coloca lado a lado as fotos de José de Alencar, até então o maior romancista do Brasil, e a de Machado de Assis. Ainda em 1873, ele foi nomeado primeiro oficial da Secretaria da Agricultura e, três anos depois assumiu a chefia da seção. Em 1881, Machado de Assis publica o romance “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, que marca o início da fase acentuadamente realista de sua obra. A obra havia sido publicada, no ano anterior, em folhetins na Revista Brasileira.
ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS
Em 1896, fundou com outros intelectuais, a Academia Brasileira de Letras. Nomeado para a cadeira n.º 23, tornando-se, em 1897, seu primeiro presidente, cargo que ocupou até sua morte. Na entrada do prédio há uma estátua de bronze do escritor. Em sua homenagem, a academia chama-se também “Casa de Machado de Assis”.
ÚLTIMOS ANOS DE VIDA
Em outubro de 1904 morreu sua esposa, Carolina, companheira de 35 anos, que além de revisora de suas obras era também sua enfermeira, pois Machado de Assis tinha a saúde abalada pela epilepsia. Após a morte da esposa o romancista raramente saía de casa. Machado de Assis faleceu no Rio de Janeiro, no dia 29 de setembro de 1908. Em seu velório, comparecerem as maiores personalidades do país. Rui Barbosa, um dos juristas mais aplaudidos da época, fez um discurso de despedida com elogios ao homem e escritor. Levado em uma carreta do Arsenal de Guerra, só destinada às grandes personalidades, um grande cortejo fúnebre saiu da Academia para o cemitério de São João Batista, onde foi enterrado.
FASES DA OBRA DE MACHADO
Machado de Assis teve uma carreira literária ininterrupta, produziu de 1855 a 1908. Escreveu poesias, romances, contos, crônicas, críticas e peças de teatro. O ponto alto de sua produção literária é o romance e o conto, onde se observa duas fases:
Primeira fase (Romantismo)
A primeira fase das obras de Machado de Assis apresenta-se presa a algum aspecto do “Romantismo”, com uma história cheia de mistérios, com final feliz ou trágico e uma narrativa linear. Apresenta também traços inovadores, como uma linguagem menos descritiva, menos adjetivada e sem o exagero sentimental. As personagens têm um comportamento movido pelo amor, como também pela ambição e pelo interesse.
- Ressurreição (1872)
- A Mão e a Luva (1874)
- Helena (1876)
- Iaiá Garcia (1878)
Segunda fase (Realismo)
A segunda fase inicia-se com "Memórias Póstumas de Brás Cubas" (1881), onde retrata a miséria humana, indo até seu último romance, “Memorial de Aires” (1908) - o livro da saudade, escrito após a morte de Carolina. É nesse período que se encontram suas mais ricas criações literárias. Diferente de tudo quanto havia sido escrito no Brasil. O estilo realista de Machado de Assis difere de seus contemporâneos, porque ele aprofunda-se na análise psicológica dos personagens desvendando a fragilidade existencial na relação consigo mesmo e com os outros personagens.
- Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881)
- Casa velha (1885)
- Quincas Borba (1891)
- Dom Casmurro (1899)
- Esaú e Jacó (1904)
- Memorial de Aires (1908)
- ROMANCES -
Ressurreição (1872)
No Rio de Janeiro do século XIX, o Doutor Félix troca de amantes a cada seis meses e rompe com a última delas, Cecília. Viana, seu amigo, apresenta-lhe a irmã Lívia, uma bela mulher, viúva há dois anos, mãe de um menino de cinco anos. Começam a se relacionar como amigos, mas ao fim de alguns encontros e de algumas valsas os dois se apaixonam. De início vivem um amor discreto, oculto da sociedade. Porém, vários conflitos passam a ocorrer devido ao ciúme e desconfiança do protagonista. Depois de muitas idas e vindas, Felix acaba pedindo a viúva em casamento, mas volta atrás na véspera do matrimônio por causa de uma carta anônima com acusações falsas contra Lívia. Graças à intervenção do amigo Meneses, Félix se arrepende de seu gesto impensado e tenta se reconciliar, mas agora é Lívia quem não quer mais se casar com o médico desconfiado e instável.
A mão e a luva (1874)
Conta a história de Guiomar, uma moça de 17 anos, afilhada de uma baronesa, e que deseja ascender socialmente. Ela é disputada por três homens: Jorge, Estêvão e Luís Alves. Estêvão, sincero e puro, porém com caráter fraco e indeciso. Jorge, sobrinho e preferido da baronesa. Luís Alves começa a admirar Guiomar apenas depois, com o passar do tempo. Porém, é um meio-termo entre os dois primeiros, pois ele é um homem resoluto e ambicioso. Jorge, com o apoio da baronesa e de sua governanta inglesa, Mrs. Oswald, pede a mão de Guiomar. No dia seguinte, Luís Alves faz o mesmo. A baronesa pede a Guiomar que se decida. Guiomar e Luís Alves casam-se.
Helena (1876)
O romance começa com o anúncio da morte do Conselheiro Vale, pai de Estácio e irmão de Dona Úrsula. O Conselheiro é retratado como homem de boas relações. Em seu testamento, ele reconhecia uma filha natural chamada Helena, pedindo para a família que a recebesse assim que a menina saísse da escola. Já que a existência da moça era até então desconhecida para Estácio e Dona Úrsula, eles a recebem com sentimentos mistos. Estácio rapidamente acolhe a nova irmã e lhe conquista a confiança, enquanto Dona Úrsula resiste por algum tempo à ideia de dividir seus afetos com uma desconhecida. Dona Úrsula adoece por um momento. Tendo notado o cuidado com que a nova parenta a velava, abandona todas as suspeitas a respeito de Helena. Nesse meio tempo, Estácio se confronta com as imposições sociais comuns a um jovem abastado no Brasil da época: ele tem que casar-se e assumir um cargo público, duas ideias contra que resiste por certo tempo. A noiva que lhe fora designada, a frívola Eugênia, por vezes lhe causa profundo desagrado; um cargo público parece não corresponder a seus interesses pelas matemáticas e ânsia por liberdade tipicamente romântica. Helena, por fim, é aquela que parece guiar Estácio para os rumos esperados pela sociedade que os rodeia; durante o romance nota-se a crescente influência da meia-irmã nas decisões do moço.
Helena também tem um pretendente; trata-se de Mendonça, antigo amigo de Estácio, de vida solta e recém-chegado da Europa. Estácio é acometido de profundos ciúmes pela união dos dois, sentimentos que saberá interpretar somente mais tarde, e relaciona-los-á com sua própria resistência contra Eugênia. Aqui Machado de Assis resgata um tema caro ao romantismo, o do amor proibido pela sociedade e pela religião. É o padre Melquior quem desvenda o amor "incestuoso". No mesmo instante em que a trama do amor proibido é desenrolada, surge uma complicação adicional. Descobre-se que Helena guardava um segredo o tempo todo, à primeira vista inofensivo; a moça tinha por hábito acordar cedo e fazer visitas a uma casa pobre, próxima à chácara do Conselheiro Vale, voltando antes de que seus parentes despertassem. Estácio é o primeiro a se preocupar com tais visitas, em grande medida por ciúmes, pondo-se a investigá-las junto a seus conhecidos.
Ao fim, descobre-se que Helena visitava um homem, seu verdadeiro pai biológico (Salvador). No final do livro, Salvador conta como o Conselheiro Vale lhe roubara a esposa, a mãe de Helena, e optara por criar a criança como se fosse sua filha. Helena tinha consciência da história a todo momento, mas não contara a Estácio e Dona Úrsula a pedido de seus dois pais. Depois que a família descobre que Helena na verdade não foi filha natural do Conselheiro, em tese Estácio e Helena estariam livres para se entregarem ao seu amor. Mas existem dois obstáculos: seria escândalo que representaria o rompimento dos compromissos já assumidos por ambos (com, respectivamente, Eugênia e Mendonça). O segundo é a crise de consciência de Helena. Mantido a mentira que o pai e o Conselheiro Vale perpetuaram visando seu próprio bem. Ela também revela ter amado Estácio o tempo todo e haver intencionado unir-se com Mendonça por força da renúncia; uma vez que sente não poder recuperar a confiança da família do Conselheiro, adoece e morre em um período de sete dias.
Iaiá Garcia (1878)
Luis Garcia era um homem reservado e que vivia exclusivamente por sua filha, Lina (ou Iaiá Garcia), uma garota mimada, que tinha toda a sua atenção. Viúvo, vivia em uma casa mais afastada que se enchia de alegria quando Lina chegava da escola. Na casa ainda havia um negro que era todo dedicado ao senhor e sua filha. No círculo pequeno de amizades de Luis estava a Sra. Valéria, também viúva. Esta tinha um filho, Jorge. E foi por ele que Valéria chamou Luis à sua casa. Acontecia que ela desejava mandar o filho à guerra do Paraguai e queria que Luis a ajudasse a fazer a cabeça do jovem. Justificava esse desejo afirmando que era seu dever como cidadão e também em referência às glórias e méritos que tais conflitos geram aos vencedores, não acreditando na morte do filho. Porém sua verdadeira razão era fazê-lo esquecer uma grande paixão.
Estela Foi passar um tempo na casa de Valéria. E fora justamente essa moça que despertara em Jorge a paixão verdadeira. Jorge a amava e até chegou a se declarar e furta à moça um beijo, o que a fez resolver voltar à casa de seu pai. Mas ela apenas negava o amor que sentia, quando o descobriu logo acreditou na sua impossibilidade e o trancou para sempre ao fundo de seu coração. Jorge que fundia a realidade com romances tanto a sua paixão o ar literário, foi à guerra e lá se manteve fiel à paixão que em carta a Luis Garcia afirmava tê-lo transformado de criança a homem. Enquanto isso Estela não sofria de amores, seu sentimento era como que esquecido e ela mantinha-se orgulhosa, firme e até mesmo fria. Durante os anos em que Jorge ficou na guerra, Valéria, mesmo não acreditando em vestígios do romance de outros tempos, chamou Estela de volta à sua casa e viviam em perfeita harmonia. Como era seu intuito, a senhora falou à moça da necessidade de se casar e assim a segunda lhe disse que quando achasse o homem conveniente a avisaria.
Nestas circunstâncias iniciou-se um convívio mais intenso entre a casa de Luis Garcia e de Valéria. Iaiá encantava a todos eles e ela e Estela logo se fizeram companheiras. Em seguida a menina deu a falar de um casamento entre seu pai e a companheira. Luis viu como as duas se davam bem, Estela viu como ele era um homem digno e assim se fez o casamento deles: companheirismo e respeito. Por fim, Jorge voltou da guerra. Sua mãe já havia falecido. Ele também já sabia do casamento de Estela e, como sua família era amiga da de Luis, as visitas se fizeram necessária. Ele inicialmente se abalava enquanto ela era fria como antes.
Quando Luis Garcia se fez doente, a presença de Jorge se tornou mais presente e, como o doente lhe pedira que auxiliasse a família, ele passou a ser íntimo da casa da mesma forma que Procópio Dias era. A convivência ali era calma, no entanto, Iaiá que já se tornara moça parecia sentir por Jorge um desprezo injustificável. A doença de Luis Garcia teve fim, mas seus problemas no coração logo lhe tirariam a vida.
Em certo tempo, em uma limpeza de papel que Luis fazia, encontrou ali a carta que Jorge lhe mandara lhe descrevendo seu amor fiel que se transformara de criança para homem. Achou graça de tal texto e deu-lhe para Estela ler. Ele não viu nenhuma das alterações por qual a esposa passara diante da carta, porém Iaiá viu. Em seguida a menina passou a desconfiar que houvesse entre a madrasta e Jorge um romance proibido que fosse mantido em segredo no coração dos dois. Nesse tempo também, Procópio Dias afirmava a Jorge o amor que tinha por Iaiá e pedia-lhe seu apoio, ainda mais porque se via obrigado a uma viagem ao Rio que demoraria quatro meses ou mais.
Foi também aí que Iaiá mudou seu relacionamento com a madrasta e com Jorge. Para com Estela vivia de acordo a favorecer a paz doméstica e com Jorge se tornava amável. Este fez referência a ela sobre o amor de Procópio Dias, ao que a menina não mostrava nem um pouco de interesse. E bastaram esses meses que ele se mantinha fora para que Iaiá e Jorge iniciassem um romance, amavam-se de fato. Quando Procópio chegou já não se sentia tão abalado por Iaiá, mas ainda lhe guardava certa paixão. Ao mesmo tempo Luis Garcia sentia o peso dos problemas cardíacos que tinha e beirava a morte. Estela, que estava ciente do romance da enteada, não só afirmou se agradar de tal coisa como também incentivou o casamento dos dois o mais breve possível para que fosse possível a Luis Garcia ter o prazer de dar a bênção à filha.
Infelizmente ele faleceu antes, Iaiá, que era profundamente ligada ao pai, ficou abalada por longo tempo e assim adiando seu casamento. Jorge, depois de certo tempo de luto, questionou à noiva sobre a data do casamento ao que ela respondeu com uma carta de rompimento. E encarregou ao negro fiel da família a entrega de outra carta a Procópio, tendo esperanças nos sentimentos que ele afirmara ter por ela. Jorge, como resposta a carta de rompimento, enviou outra a Estela perguntando o porquê da ação de Iaiá. Estela questionou à menina que respondeu que não poderia se casar com Jorge já que ela o amava. A madrasta, extremamente irritada, agiu até convencer Iaiá de que não havia amor nenhum entre eles e assim respondeu a Jorge que a carta da enteada não passara de um capricho.
Por sorte, o negro achou melhor não entregar a carta a Procópio e assim o casamento de Jorge e Iaiá foi marcado e concretizado. Estela fora pra outra cidade onde arrumara um emprego. Seu pai, que nunca fora confiável para Luis Garcia, sempre viveu dos outros e desejava ver a filha junto a Jorge, não foi com ela. Madrasta e enteada trocavam cartas e no dia do aniversário de um ano da morte de Luis no cemitério Iaiá encontrou ali uma coroa deixada por Estela, a qual beijou como se fosse a madrasta, que sinceramente deixara ali flores ao falecido marido.
Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881)
Narrado em primeira pessoa, seu autor é Brás Cubas, um "defunto-autor", isto é, um homem que já morreu e que deseja escrever a sua autobiografia. Nascido numa típica família da elite carioca do século XIX, do túmulo o morto escreve suas memórias póstumas começando com uma "Dedicatória": Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas. Seguido da dedicatória, no outro capítulo, "Ao Leitor", o próprio narrador explica o estilo de seu livro, enquanto o próximo, "Óbito do Autor", começa realmente com a narrativa, explicando seus funerais e em seguida a causa mortis, uma pneumonia contraída enquanto inventava o "emplastro Brás Cubas", panaceia medicamentosa que foi sua última obsessão e que lhe "garantiria a glória entre os homens". No Capítulo VII, "O Delírio", narra o que antecedeu ao óbito.
No Capítulo IX, "Transição", principiam propriamente as memórias. Brás Cubas começa revendo a própria infância de menino rico, mimado e endiabrado: desde cedo ostentava o apelido de "menino diabo" e já dava mostras da índole perversa quebrando a cabeça das escravas quando não era atendido em algum querer ou montando num dos filhos dos escravos de sua casa, o moleque Prudêncio, que fazia de cavalo. Aos dezessete anos, Brás Cubas apaixona-se por Marcela, "amiga de rapazes e de dinheiro",[6] prostituta de luxo, um amor que durou "quinze meses e onze contos de réis",[7] e que quase acabou com a fortuna da família.
A fim de se esquecer dessa decepção amorosa, o protagonista foi enviado a Coimbra, onde se formou em Direito, após alguns anos de boêmia desbravada, "fazendo romantismo prático e liberalismo teórico".[8] Retorna ao Rio de Janeiro por ocasião da morte da mãe. Depois de namorar inconsequentemente Eugênia, "coxa de nascença",[9] filha de D. Eusébia, amiga pobre da família, o pai planeja induzi-lo na política através do casamento e encaminha o relacionamento do filho com Virgília, filha do Conselheiro Dutra, que apadrinharia o futuro genro. Porém Virgília prefere casar-se com Lobo Neves, também candidato a uma carreira política. Com a morte do pai de Brás Cubas, instaura-se um conflito entre ele e sua irmã, Sabrina, casada com Cotrim, por conta da herança.
Quando Virgília reaparece, anunciada pelo primo Luís Dutra, reencontra-se com Brás Cubas e tornam-se amantes, vivendo no adultério a paixão que não tiveram quando noivos. Virgília engravida, no entanto a criança morre antes de nascer. Para manter discreta sua relação amorosa, Brás Cubas corrompe Dona Plácida, que por cinco contos de réis aceita figurar-se como moradora de uma casinha na Gamboa, que na verdade serve de encontro entre os amantes. Então segue-se o encontro do protagonista com Quincas Borba, amigo de infância que agora miserável lhe rouba o relógio, devolvendo-lhe depois. Quincas Borba, filósofo doido, apresenta ao amigo o Humanitismo.
Perseguindo a celebridade ou procurando uma vida menos tediosa, Brás Cubas torna-se deputado, enquanto Lobo Neves é nomeado presidente de uma província e parte com Virgília para o Norte, porquanto que termina a relação dos amantes. Sabina arranja uma noiva para Brás Cubas, a Nhã-Loló, sobrinha de Cotrim, de 19 anos, mas ela morre de febre amarela e Brás Cubas torna-se definitivamente um solteirão. Tenta ser Ministro de Estado mas fracassa; funda um jornal de oposição e fracassa. Quincas Borba dá os primeiros sinais de demência. Virgília, já velha e desfigurada em sua beleza, solicita a ele o amparo à indigência de Dona Plácida, que morre em seguida. Morrem também Lobo Neves, Marcela e Quincas Borba. Eugênia é encontrada num cortiço. A última tentativa de glória, portanto, é o "emplasto Brás Cubas", remédio que curaria todas as doenças; ironicamente, numa de suas saídas à rua para cuidar de seu projeto, molha-se na chuva e apanha uma pneumonia, da qual vem a falecer, aos 64 anos. Virgília, acompanhada do filho, vai visitá-lo na cama e, após longo delírio, morre assistido por alguns familiares. Depois de morto, começa a contar, de trás para frente, a história de sua vida e escreve assim as últimas linhas do capítulo derradeiro:
Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto. Mais; não padeci a morte de D. Plácida, nem a semidemência do Quincas Borba. Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem sobra, e conseguintemente que saí quite com a vida. E imaginará mal; porque ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: — Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.
— Memórias Póstumas de Brás Cubas, Capítulo CLX[10]
Casa Velha (1885)
O Texto não tem tempo de discurso revelado; porém, o tempo de diegese se passa nos anos de 1838 e 1839. Com o fim de escrever um livro sobre a história do Primeiro Reinado, um cônego procura conhecer uma casa onde morou um ex-ministro, na qual havia papéis que o ajudariam na sua pesquisa.
Durante esta pesquisa, o cônego tornou-se grande amigo da família, ficando íntimo dela, inclusive. Deste modo, vê na amizade de Félix - filho da dona da casa, D. Antônia - e Lalau - praticamente, agregada da casa - uma possível paixão. No desenrolar da trama, descobre que sua observação estava correta e os dois realmente se amavam.
Contudo, esta união não era possível, pois D. Antônia, embora considerasse Lalau como filha, não aceitava que eles ficassem juntos devido à relação social de ambos. Para fim de obter a separação do casal, D. Antônia chega a pedir ao cônego que levasse seu filho, Félix, para conhecer a Europa (tendo como desculpa a formação pessoal deste). A derradeira tentativa de D. Antônia foi a de revelar - falsamente - que Lalau era filha do falecido ministro, pai de Félix.
Com esta revelação, há grande espanto por parte de todos, inclusive do padre, que, então, ajuda D. Antônia a separar o casal; para isto, ele revela a ambos a paternidade de Lalau. Ao revelar esta falsa verdade à tia de Lalau - com quem esta morava devido a morte de seus pais quando pequena -, ela lho revela a verdade, que o verdadeiro pai de Lalau não era o ex-ministro; mas diz, também, que houve relação deste com a mãe de Lalau gerando um filho que morreu aos 2 meses de idade.
O cônego, portanto, vai ter com D. Antônia, esta diz que realmente inventara a paternidade, e que, inclusive, não desconfiara jamais de traição por parte do marido. E que descobrindo isto da forma como descobriu, viu que deveria cumprir pena por ter feito revelação em falso. Segundo ela, parte da pena estava cumprida (descobrir-se traída), a outra metade seria casar seu filho com Lalau.
Com esta notícia, o cônego sente-se muito alegre, embora um pouco triste pelo fato de ter feito a traição ser revelada; ao contatar os principais envolvidos na história, o cônego tem uma surpresa ao perceber que Lalau não se casaria com Félix do mesmo modo. Esta não tem sua ideia mudada mesmo por intervenção de sua tia, Félix, e nem D. Antônia.
Félix e Lalau casam-se com outras pessoas, sendo este o fecho do livro: "Se ele e Lalau foram felizes, não sei; mas foram honestos, e basta." O livro implica uma linguagem perfeitamente correta narrado em primeira pessoa.
Quincas Borba (1891)
Pedro Rubião de Alvarenga, ex-professor primário, torna-se, em Barbacena, enfermeiro e discípulo do filósofo Quincas Borba, que lhe apresenta o Humanitismo, em que a razão do homem é sempre buscar viver e que a sobrevivência depende muitas vezes de saber vencer os outros. Borba falece no Rio de Janeiro, em casa de Brás Cubas. Rubião é nomeado herdeiro universal do filósofo, sob condição de cuidar de seu cachorro, também chamado Quincas Borba.
Ele parte para o Rio de Janeiro e, na viagem, conhece o capitalista Cristiano de Almeida e Palha e sua esposa Sofia. Ingênuo, Rubião deixa-se guiar pelo casal. Instala-se num palacete e frequenta a casa de Cristiano. Apaixona-se por Sofia, que lhe dispensava olhares e delicadezas insinuantes. Depois de muitos favores ao casal amigo, Rubião declara seu amor por Sofia, que, apesar de ter provocado a declaração, o recusa e se queixa ao marido. Cristiano não rompe com Rubião porque pretende lhe subtrair o resto da fortuna. Sofia apenas intuía sua condição de chamariz, mas daí por diante tem de exercê-la conscientemente. O amor não-correspondido de Sofia desperta-lhe, aos poucos, a loucura.
Enlouquecido, pensa ser o imperador francês Napoleão III e morre agonizante, dizendo: Guardem a minha coroa [...] Ao vencedor..., repetindo a frase "ao vencedor, as batatas" de Quincas Borba, que contou uma história em que duas tribos lutam por um campo de batatas mas cujos frutos só abastecem uma das tribos que não divide as batatas com a outra porque, caso o fizesse, segundo o filósofo, estariam sujeitas a desnutrição. Com a morte de Rubião, o último parágrafo termina explicando também a morte do cachorro do filósofo.
Dom Casmurro (1899)
Narrado com foco narrativo em primeira pessoa, seu personagem principal é o carioca de 54 anos Bento de Albuquerque Santiago, advogado solitário e bem-estabelecido que, após ter reproduzido tal qual, no Engenho Novo, a casa em que foi criado "na antiga R. de Matacavalos" (hoje Riachuelo), pretende "atar as duas pontas da vida e resgatar na velhice a adolescência", ou seja, contar na meia idade seus momentos de moço. No primeiro capítulo, o autor justifica o título: é uma homenagem a um "poeta do trem" que certa vez o importunou com seus versos e que lhe chamou de "Dom Casmurro" por ter, segundo Bento, "fechado os olhos três ou quatro vezes" durante a recitação. Seus vizinhos, que lhe estranhavam os "hábitos reclusos e calados", e também seus amigos próximos, popularizaram a alcunha. Para escrever o livro é inspirado por medalhões de César, Augusto, Nero e Massinissa: imperadores romanos que mataram suas esposas adúlteras.
Nos capítulos adiante Bento começa suas reminiscências: conta as experiências que teve quando sua mãe, a viúva D. Glória, lhe enviou para o seminário, fruto de promessa que ela fez caso acabasse concebendo um novo filho depois de seu primeiro, que morreu no parto; a ideia foi ressuscitada pelo agregado José Dias, que conta a Tio Cosme e à D. Glória o namoro de Bentinho com Capitolina, a vizinha pobre por quem Bentinho era apaixonado. No seminário, Bentinho conhece seu melhor amigo, Ezequiel de Sousa Escobar, filho de um advogado de Curitiba. Bento larga o seminário e estuda direito em São Paulo, enquanto Escobar torna-se comerciante bem sucedido e casa-se com Sancha, amiga de Capitu. Em 1865, Capitu e Bentinho casam; Sancha e Ezequiel têm uma filha que dão o nome de Capitolina, enquanto o protagonista e sua esposa concebem um filho que chamam de Ezequiel. O Escobar companheiro de Bento, que era exímio nadador, paradoxalmente morre afogado em 1871, e no enterro tanto Sancha quanto Capitu olham o defunto fixamente, "Momento houve em que os olhos de Capitu fitaram o defunto, quais os da viúva, [...], como a vaga do mar lá fora, como se quisesse tragar também o nadador da manhã", segundo ele.
Logo o narrador começa a desconfiar que seu melhor amigo e Capitu o traíam às escondidas. Dom Casmurro também passa a duvidar de sua própria paternidade. Diz ele nas últimas linhas: [...] quis o destino que acabassem juntando-se e enganando-me… O livro termina com o convite irônico "Vamos à História dos Subúrbios", livro que ele, no início do romance, teria pensado escrever antes de ocorrer-lhe a ideia de Dom Casmurro. A ação do romance passa-se entre 1857 e 1875, aproximadamente, e a narrativa, embora de tempo psicológico, permite a percepção de algumas unidades: a infância de Bento em Matacavalos; a casa de Dona Glória e a família do Pádua, com os parentes e agregados; o conhecimento de Capitu; o seminário; a vida conjugal; a densificação do ciúme; os surtos psicóticos de ciúme, agressividade; a ruptura.
Esaú e Jacó (1904)
Conta a história de dois irmãos gêmeos que brigavam desde o ventre da mãe. O romance se passa em um período de transformação na política do Brasil, a transição do império para república. O cenário político do país é, mais tarde, um dos motivos das brigas dos irmãos. Chamados Pedro e Paulo, os gêmeos discordam em tudo. Já adultos seguem profissões diferentes e apoiam sistemas políticos diferentes. Para completar, ambos se apaixonam pela mesma mulher, Flora, o que acentua a disputa dos dois irmãos. Apesar do romance contar a história dos gêmeos, suas brigas e o amor pela mesma mulher, Machado de Assis também traz destaque para a situação política daquela época. Ao ler Esaú e Jacó, o leitor deve ter atenção para a jovem Flora, que pode ser entendida como o próprio Brasil, dividido entre o império e a monarquia. O título do livro de Machado de Assis é extraído da história bíblica dos irmãos gêmeos Esaú e Jacó. Narrada em Gênesis, primeiro livro da Bíblia, fala dos irmãos gêmeos, filhos de Isaque e Rebeca. Pela tradição da época, o primeiro filho é quem teria direitos sobre os bens da família. Nesse caso, Esaú seria, por lei, o escolhido. Porém, Jacó era o filho favorito de Rebeca, o que a levou a tramar para que esse fosse beneficiado no lugar do outro filho. Em”Esaú e Jacó” os gêmeos são chamados de Pedro e Paulo. Idênticos fisicamente, os dois brigam desde que estavam na barriga da mãe. No livro, além do romance sobre a vida dos personagens, o autor trata da política, inclusive é possível ver trechos que falam da abolição da escravatura no Brasil e outros assuntos da época.
Memorial de Aires (1908)
É uma possível continuação do livro Esaú e Jacó, pois o personagem Aires participa da história, anotando em seu caderno, tudo que se passa em sua vida, dando continuidade em Memorial de Aires em que o próprio personagem relata seu dia-a-dia em um caderno.
Memorial de Aires apresenta um enredo narrado pelo Conselheiro Aires, que remonta em um diário os anos de 1888 e 1889, em que viveu como um diplomata idoso e aposentado no Rio de Janeiro. Com várias observações argutas em suas memórias, Aires chega a enganar e confundir os leitores. Segundo Alfredo Bosi, crítico, professor universitário e historiador da literatura nacional, o Conselheiro Aires “ouve mais do que fala e concilia o quanto pode”.
Nas páginas de Memorial de Aires são apresentadas pessoas com quem o narrador conviveu, citações de leituras e obras que leu quando era diplomata e reflexões sobre fatos passados que ocorreram na política. Uma das principais personagens descritas por Aires é Fidélia, moça mais jovem por quem ele se interessou. Devido à idade avançada, Aires nunca revelou seu amor à Fidélia, considerada uma filha para o casal Dona Carmo e Aguiar, que não pode ter filhos.
Outro personagem do livro é Tristão, rapaz também considerado como um filho pelo casal Aguiar. Aires mostra a tristeza do casal ao ver o jovem, que após viajar à Europa e se tornar médico, retorna ao Brasil, casa-se com Fidélia e a leva para viver com ele no continente europeu. Ao final de Memorial de Aires, o narrador acompanha a solidão do casal, que fica sozinho sem Fidélia e sem Tristão.
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Coletânea de Poesias
Crisálidas, (1864)
Falenas, (1870)
Americanas, (1875)
Ocidentais, (1880)
Poesias Completas, (1901)
Coletânea de contos
Contos Fluminenses, (1870)
Histórias da Meia-Noite, (1873)
Papéis Avulsos, (1882)
Histórias sem Data, (1884)
Várias Histórias, (1896)
Páginas Recolhidas, (1899)
Relíquias da Casa Velha, (1906)
Peças de teatro
Hoje Avental, Amanhã Luva, (1860)
Desencantos, (1861)
O Caminho da Porta, (1863)
O Protocolo, (1863)
Quase Ministro, (1864)
As Forcas Caudinas, (1865/1956)
Os Deuses de Casaca, (1866)
Tu, só tu, puro amor, (1880)
Não Consultes Médico, (1896)
Lição de Botânica, (1906)
Traduções
Queda que as mulheres têm para os tolos, (1861).
Contos selecionados
"A Cartomante"
"Miss Dollar"
"O Alienista" (†)
"Teoria do Medalhão"
"A Chinela Turca"
"Na Arca"
"D. Benedita"
"O Segredo do Bonzo"
"O Anel de Polícrates"
"O Empréstimo"
"A Sereníssima República"
"O Espelho"
"Um Capricho"
"Brincar com Fogo"
Contos selecionados
"Uma Visita de Alcibíades"
"Verba Testamentária"
"Noite de Almirante"
"Um Homem Célebre"
"Conto de Escola"
"Uns Braços"
"A Cartomante"
"O Enfermeiro"
"Trio em Lá Menor"
"O Caso da Vara"
"Missa do Galo"
"Almas Agradecidas"
"A Igreja do Diabo"
Obras póstumas
Critica (1910)
Outras Relíquias, contos (1921)
A Semana, Crônica - 3 Vol. (1914, 1937)
Páginas Escolhidas, Contos (1921)
Novas Relíquias, Contos (1932)
Crônicas (1937)
Contos Fluminenses - 2º Vol. (1937)
Crítica Literária (1937)
Crítica Teatral (1937)
Histórias Românticas (1937)
Páginas Esquecidas (1939)
Casa Velha (1944)
Diálogos e Reflexões de um Relojoeiro (1956)
Crônicas de Lélio (1958)
SITES RELACIONADOS
http://machado.mec.gov.br/
http://www.machadodeassis.org.br/
https://www.literaturacomentada.com/epoca-de-machado-de-assis.html
http://www.machadodeassis.org.br/
https://www.literaturacomentada.com/epoca-de-machado-de-assis.html






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