OLGA | AUTOR: FERNANDO MORAIS | RESENHA LIVRO + FILME


Título: Olga | Autor: Fernando Morais | Ano: 1994
Editora: Companhia das Letras | Páginas: 264 
Filme: 2012 | Diretor: Jayme Monjardim
Nota: ✮✮✮✮✮

Desde que eu tive o primeiro contato com a história de Olga ainda no colégio, sempre achei interessante a garra e luta de uma mulher para mudar a forma de governo, e até mudar o mundo. Idealista e guerreira, ela lutou desde muito jovem pelos seus ideias. Não estamos aqui para questionar formas de governos, e se deu certo ou não, mas sim no ideal de acreditar e fazer de tudo para tornar isso possível. 
SINOPSE
O livro conta a história de Olga Benario, judia e comunista, que foi companheira de Luís Carlos Prestes e acabou assassinada nos campos nazistas. Nos últimos anos, poucas obras alcançaram no Brasil sucesso tão estrondoso quanto esta biografia de Olga Benario Prestes. Fernando Morais revelou-se também um pesquisador competente, e escritor dotado de sensibilidade e de talento. Com simplicidade, sabedoria e grandeza, ele soube recriar um drama profundamente humano de nossa época. Entre, de um lado, a guerra desencadeada pelo nazismo e, de outro, a miséria de uma ditadura latino- americana com seus crimes, Fernando Morais delineou a figura quase lendária de uma mulher que sempre empunhou o estandarte de ideais generosos.



Olga Benário Prestes, nasceu em Munique em 12 de fevereiro em 1908, uma jovem militante comunista alemã de origem judaica, filha de Eugénie Gutmann Benário e Leo Benário, advogado e membro ativo do Partido Social-Democrata Alemão. Com apenas quinze anos, junta-se à organização juvenil do Partido Comunista Alemão (KPD). Pouco tempo depois, muda-se para Berlim com Otto Braun, seu primeiro namorado. Foi presa e acusada de alta traição à pátria, assim como seu companheiro Braun, porém foi solta pouco tempo depois, enquanto Braun não. Junto de seus colegas de militância, planejou então o assalto à prisão de Moabit e liberta Braun. Fugiram para a União Soviética, onde Olga recebeu treinamento político-militar. Separou-se de Braun em 1931.


Olga foi enviada ao Brasil em 1934, por determinação da Internacional Comunista, para apoiar o Partido Comunista Brasileiro, junto de Luís Carlos Prestes, que se tornaria seu companheiro, com o objetivo de liderar uma revolução armada com o apoio de Moscou. Em novembro de 1935, enquanto caminhavam os preparativos insurrecionais, um levante armado estourou na cidade de Natal, o que fez com que Prestes ordenasse que a insurreição fosse estendida ao resto do país. Porém, somente algumas unidades militares de Recife e do Rio de Janeiro sublevaram-se. A insurreição foi fortemente reprimida pelo governo Vargas e muitos líderes comunistas foram presos. O episódio ficou conhecido como Intentona Comunista.

Após a Intentona, Olga e Prestes conseguiram viver na clandestinidade por mais alguns meses, mas acabaram presos em 1936. Na prisão, Olga descobriu que estava grávida de Prestes. No mesmo ano foi deportada para a Alemanha nazista. Foi presa pela Gestapo ao chegar na Alemanha em 18 de outubro de 1936 e então levada para a Barnimstrasse, prisão de mulheres da Gestapo, onde teve sua filha, Anita Leocádia Prestes, que ficaria em seu poder até o fim do período de amamentação e depois, entregue à avó D. Leocádia. Olga é executada em 23 de abril de 1942, com 34 anos de idade, na câmara de gás, no campo de extermínio de Bernburg.


Tanto o livro como o filme inicia exatamente quando Olga consegue tirar Otto Braun, seu companheiro de luta, da prisão de Moabit, e conseguem fugir. Relata sobre sua origem, o conflito com os pais para defender a causa política que acreditava, sua preparação para assumir seu posto dentro do partido comunista, o contato com Luis Carlos Prestes e sua luta para mudar o governo no Brasil e que não teve êxito (fato que ficou conhecido como Intentona Comunista em 1935), a prisão e a deportação para Alemanha, o nascimento de sua filha, e os horrores dos campos de concentração por onde passou, até ser morta em uma câmera de gás.

É muito emocionante a forma como o autor Fernando Morais conduz e descreve os fatos vividos por Olga em seu livro. Seu trabalho de pesquisa foi muito importante para trazer a tona uma momento importante da história de nosso país que se mistura com a história de vida de Olga e Luis Carlos Prestes. Jaime Monjardim conseguiu captar muito bem essa mensagem e transformou Olga em um dos melhores filmes já produzidos no país. Camila Morgado e Caco Ciocler dão vida a esses personagens reais com uma incrível caracterização. No making off, é possível conhecer mais como foi essa preparação e escolha do elenco através de entrevistas e mostras de cenas. Vale muito a pena conhecer essa história e compartilhar.


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Resenha em VIDEO

Entrevista com Anita Leocádia Prestes

Entrevista com Luis Carlos Prestes em Jô Soares (1988)

SOBRE O AUTOR

Fernando Morais começou no jornalismo aos 15 anos. Em 1961, era então um office boy, numa revista editada por um banco em Belo Horizonte, quando teve que cobrir a ausência do único jornalista da publicação numa entrevista coletiva. Aos 18 mudou-se para São Paulo e passou pelas redações de Veja,Jornal da Tarde, Folha de S. Paulo, TV Cultura e portal IG. Recebeu três vezes o Prêmio Esso e quatro vezes o Prêmio Abril.
Na área política, foi deputado estadual durante oito anos e Secretário de Cultura (1988-1991) e de Educação (1991-1993) do Estado de São Paulo, nos governos Orestes Quércia e Luiz Antônio Fleury Filho. Seu primeiro sucesso editorial foi A Ilha, relato de uma viagem a Cuba. A partir daí, abandonou a rotina das redações para se dedicar à literatura. Pesquisador dedicado e exímio no tratamento de textos, publicou biografias e reportagens que venderam mais de dois milhões de exemplares no Brasil e em outros países, tornando-se um dos escritores brasileiros mais lidos de todos os tempos.
Lorena Caribé
Lorena Caribé

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6 comentários:

  1. Eu vi o filme da Olga e é uma negócio tão doido, que as vezes a gente para pra pensar e fica quase difícil de acreditar que uma coisa dessas aconteceu aqui no Brasil. Quando a gente vê a filha dela dando entrevista dá pra sentir coração doer, cara, nossa.

    www.blogminhaspalavras.com.br

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    1. Esse filme é um dos que mais me emociona. A cena que separam Olga da filha é a mais marcante. Amei seu blog, já seguindo!!! bjoo

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  2. Muito bom esse post, teve um bom conteúdo sem dizer o assunto abordado, Olga Benário foi uma grande mulher, já assisti o filme umas mil vezes é só aumenta meu orgulho de ser uma mulher, por causa dela.
    Beijos!
    http://carolinapaivaa.blogspot.com.br/

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    1. Obrigada Ana !!! Seu blog também é muito caprichado e com fotos lindas !!! Vou ficar visitando !!! Muito sucesso em 2016, bjoo

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  3. Oii, adorei, já estou te seguindo, bjos.

    yuugracindo.blogspot.com.br/

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    1. Obrigada !!! Eu também !!! Achei muitos interessante seu blog com várias curiosidades !!! bjoo

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